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Ilustração “Festa de Iemanjá”, da série “Manifestações da Cultura Brasileira.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

É água no mar, é maré cheia ô
mareia ô, mareia
É água no mar…

Contam que toda tristeza
Que tem na Bahia
Nasceu de uns olhos morenos
Molhados de mar.

Não sei se é conto de areia
Ou se é fantasia
Que a luz da candeia alumia
Pra gente contar.

Um dia morena enfeitada
De rosas e rendas
Abriu seu sorriso de moça
E pediu pra dançar.

A noite emprestou as estrelas
Bordadas de prata
E as águas de Amaralina
Eram gotas de luar.

Era um peito só
Cheio de promessa era só
Era um peito só cheio de promessa

Quem foi que mandou
O seu amor
Se fazer de canoeiro
O vento que rola das palmas
Arrasta o veleiro
E leva pro meio das águas
de Iemanjá
E o mestre valente vagueia
Olhando pra areia sem poder chegar
Adeus, amor

Adeus, meu amor
Não me espera
Porque eu já vou me embora
Pro reino que esconde os tesouros
De minha senhora

Desfia colares de conchas
Pra vida passar
E deixa de olhar pros veleiros
Adeus meu amor eu não vou mais voltar

Foi Beira-Mar, foi Beira-Mar quem chamou
Foi Beira-Mar ê, foi Beira-Mar

Conto de Areia
Clara Nunes


Iemanjá

É um orixá africano cujo nome deriva da expressão ioruba Yéyé omo ejá , ou seja “Mãe cujos filhos são peixes”. No Brasil é considerada a rainha das águas e marés, senhora dos oceanos, sereia sagrada. Considerada rainha das águas salgadas, é protetora dos pescadores e jangadeiros. No Brasil, ainda é associada à Virgem Maria e Nossa Senhora dos Navegantes.

A mais popular divindade das religiões africanas é representada geralmente como uma mulher de longos cabelos escuros e túnica azul que também assume a forma de sereia que mora nas profundezas do mar.

Cantada e homenageada em inúmeras composições brasileiras, é conhecida por vários nomes como Janaína, Rainha do Mar, Dona Janaína, Inaê, Mãe da Água, Princesa do Aiocá, Deusa das Pérolas e também Maria, no paralelismo com a religião católica, dentre outros.

Associados a ela estão como cor, o azul, metal é a prata, seu dia da semana é sábado, seu ponto de domínio na natureza é o mar, suas flores, rosas e palmas brancas, angélicas, orquídeas, suas pedras a pérola e a água marinha.

Iemanjá goza de grande prestígio entre os seguidores das religiões afro-brasileiras, por isso suas festas são repletas de fieis que devotam oferendas e presentes à rainha das ondas.  

Comemora-se Iemanjá no dia 2 de fevereiro, também dia de Nossa Senhora dos Navegantes para os católicos, e costuma-se festejar seu dia com uma grande procissão fluvial.

No Rio Grande do Sul comemora-se a tradicional procissão marítima da Lagoa dos Patos entre Rio Grande e São José do Norte, realizada há mais de 200 anos.  (CORTA AQUI E VAI PARA IMAGENS)

Porém, uma das mais populares festas de celebração pública do candomblé, acontece na praia do Rio Vermelho em Salvador, estado da Bahia, onde milhares de fiéis, sejam baianos ou turistas, vestidos de branco fazem oferendas a ela, agradecendo ou pedindo alguma benção.

Conta-se que tudo começou em 1923, quando ocorreu uma diminuição na oferta de peixes da Vila dos Pescadores do Rio Vermelho e estes, desesperados, pediram ajuda para Iemanjá ofertando-lhe presentes que eram levados ao mar por suas embarcações, tornando-se tradição até os dias de hoje.

As homenagens começam de madrugada, onde devotos de várias religiões colocam bilhetes com seus pedidos e presentes em cestos, que são levados por embarcações para o alto mar.  Dizem que os pedidos recusados não afundam ou voltam para praia.

Os presentes são flores brancas, perfumes, velas, espelhinhos, bijuterias, sabonetes, comidas, oferendas que agradam à rainha do mar e obter, desta forma, sua proteção. Em casa, por ocasião do seu dia, coloca-se sobre uma mesa um vaso de rosas brancas ou cestas com frutas, ou acende-se uma vela azul ou branca num local especial.

A celebração ao dia de Iemanjá acontece em todos os estados brasileiros, muito deles junto com a Nossa Senhora dos Navegantes, a forma sincrética do orixá, no catolicismo.

No candomblé as comidas associadas ao orixá são o manjar branco, acaçá, uma massa feita de milho branco ou vermelho embrulhada em folhas de bananeira, peixe de água salgada, bolo de arroz, melancia, cocada branca, o ebôya ou fava de Iemanjá, ebô, um preparado de milho branco sem tempero.

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