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Ilustração “Festas Juninas”, da série “Manifestações da Cultura Brasileira.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

A fogueira tá queimando
Em homenagem a São João
O forró já começou
Vamos gente, rapapé neste salão 

Dança Joaquim com Isabé
Luiz com Iaiá
Dança Janjão com Raqué
E eu com Sinhá
Traz a cachaça, Mané
Eu quero vê, quero vê páia voar

São João na Roça
Luiz Gonzaga

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As Festas Juninas

As festas juninas, antigamente chamadas de joaninas, são multiculturais e comemoradas em vários países da Europa católica. Provavelmente sua origem venha da Idade Média, quando se celebrava os “santos populares” ou Santo Antônio, São João e São Pedro.

A festividade, de acordo com os historiadores, foi introduzida no Brasil pelos portugueses, no período colonial, trazendo em sua forma de comemorar, traços característicos encontrados da Europa até a China. Com o passar do tempo foram incorporando as características das várias regiões do Brasil. Popularizou-se mesmo no Nordeste no País, tornando-se internacionalmente conhecidas, tanto por sua grandiosidade, com por sua tradição.

Nesta época do ano todas as cidades se enfeitam, as pessoas vão para as ruas, formam-se quermesses, criam-se arraiais. São 31 dias de muita alegria pelo País todo.

As festas são compostas por vários símbolos característicos de sua multiplicidade de culturas.

Além de aquecerem no inverno, as fogueiras, um item que não pode faltar num arraial, existem em todas as festas de São João europeias cristãs. Eram usadas, tradicionalmente, para festejar a chegada do solstício de verão, no hemisfério norte. Os fogos de artificio, que segundo a tradição popular serve para acordar São João, vieram da China que tinha como legado a manipulação da pólvora para fabricar fogos.

Os balões, soltos de 5 a 7 para avisar que a festança estava para começar, os enfeites de papel e as bandeirinhas, vêm de Portugal.  As danças de fitas, provavelmente, vêm da península ibérica. O levantamento do mastro com a imagem do santo ou dos santos é ancestral e, embora um símbolo marcadamente católico, tem origem pagã. As quadrilhas vieram das danças de salão francesas, danças nobres, para quatro pares, ou quadrille, muito em voga no início do século XIX, e que veio para o Brasil pelas elites portuguesas e brasileiras. Com o tempo foi se transformando, ganhando influencias afro-brasileiras e indígenas, aumentando o número de participantes e abandonando os passos e ritmos franceses. Em geral, para a prática da dança é importante a presença de um mestre “marcante” ou “marcador”, pois é ele quem determina as coreografias temáticas que os dançadores devem desenvolver. Termos de origem francesa são ainda utilizados por alguns mestres para cadenciar a dança como o “garranchê”.

As festas juninas se popularizaram no meio rural, daí sua vestimenta campesina ou à caipira onde se vê os homens com camisa xadrez, calça remendada com panos coloridos, chapéu de palha, e as mulheres com vestido colorido de chita e chapéu de palha.

Desde tempos anteriores aos colonizadores, os índios tinham por habito fazer festas e cantorias para que a colheita fosse farta, nesta época do ano. As comidas típicas que vemos nas festas juninas são feitas de grãos e raízes como amendoim e o pé-de-moleque, a bata-doce, a mandioca em doces e bolos e o milho verde, que se transforma em canjica, bolo de milho, curau, pipoca, pamonha, broa de milho, bolo de fubá, cuscuz e no delicioso milho cozido. No Nordeste, por causa da seca, pede-se, também, para que a chuva caia e dê boa colheita.

Os instrumentos musicais que acompanham as quadrilhas, são a sanfona ou acordeom, o pandeiro, a zabumba, o violão ou a viola, o triangulo, o cavaquinho sendo introduzidos também, de forma inovadora, os violinos no forró!

Para inúmeras cidades brasileiras do Norte e Nordeste do Brasil, as festas levam progresso para a economia local. Destacamos as maiores como a de Caruaru, no estado do de Pernambuco, considerada a maior festa country ao ar livre do mundo e Campina Grande, no estado da Paraíba, que foi intitulada como o Maior São João do Mundo, num arraial gigante e que atrai, em média, 2 milhões de visitantes todos os anos. A festa gera trabalho e renda para cerca de dez mil pessoas na cidade. 

As festas juninas acontecem nas comunidades, escolas, paróquias, festas particulares, praças, cidades inteiras, e podem ser únicas, tradicionais, pequenas e grandiosas, mas levam sempre, e mais fortemente durante um mês inteiro, uma alegria genuína para todos os cantos do Brasil.

Comemora-se Santo Antônio no dia 13 de junho, São João Batista no dia 24 e São Pedro no dia 29 de junho.  

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Textos: OPY Comunicação Integrada
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