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Ilustração “Forró Universitário” da séria “Manifestações da Cultura Brasileira. 
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

O candeeiro se apagou 
O sanfoneiro cochilou 
A sanfona não parou 
E o forró continuou 

Meu amor não vá simbora 
Não vá simbora 
Fique mais um bucadinho 
Um bucadinho 

Se você for seu nego chora 
Seu nego chora 
Vamos dançar mais um tiquinho 
Mais um tiquinho 

Quando eu entro numa farra 
Num quero sair mais não 
Vou inté quebrar a barra 
E pegar o sol com a mão

Forró no Escuro
Luiz Gonzaga

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Forró

No começo do século XIX, em Pernambuco, os bailes populares nordestinos eram conhecidos como “forrobodó” ou “forrobodança”, onde eram executados vários ritmos como o xote, o xaxado, o chamego, o baião, sempre dançado em pares, com muito remelexo. 

Segundo Câmara Cascudo, forró vem de “forrobodó”, uma palavra de origem banto, (uma etnia africana vinda ao brasil pelos escravos) que significa pé-de-valsa, gafieira, arrasta-pé, farra, confusão. Uma curiosidade: no idioma húngaro, Forró significa “Quente”.

De nome de baile, passou a tornar-se um gênero musical, difundindo-se pelo Brasil inteiro. O forró é uma das maiores manifestações musicais do Nordeste.  

Nos anos 1950, com a grande migração de nordestinos para o Sudeste e também para a construção de Brasília, os bailes de forró foram se espalhando pelo País a fora. Nesta época o cantor e compositor Luiz Gonzaga levou o forró do Nordeste para outras regiões do Brasil, popularizando o gênero musical, cantando a vida sofrida e pobre do Nordestino, as vezes em composições mais tristes, mas de forma geral suas músicas são alegres, divertidas, dançantes.

Nos anos de 1970, os bailes de forró tornaram-se uma espécie de resistência para a chamada música brasileira autêntica, recebendo grande afluência de estudantes universitários. Nesta época surgiram compositores e interpretes nordestinos que ficaram famosos, e que contribuíram para fazer com que o forró fosse amado e admirado pelos brasileiros. Dentre eles o próprio Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Elba Ramalho, Alceu Valença, Trio Nordestino, Jackson do Pandeiro.

Nos anos 1980, com o crescimento do rock brasileiro, o forró perde sua fama, mas volta “repaginado” no final dos anos 1990, fixando uma nova tendência, o chamado “Forró Universitário” ou “Forró-Pé-de-Serra”, onde foram inseridos novos instrumentos como o teclado elétrico e a guitarra e novas coreografias, mais complicadas

Essa mudança abriu passagem para entrar em cena grupos tradicionais de forró, reinserindo o gênero musical no gosto do brasileiro. Hoje o ritmo é cultuado nas cidades nordestinas como Recife, Caruaru e Campina Grande.

Tradicionalmente o forró era tocado por trios composto por sanfoneiro, zabumbeiro, que toca a zabumba, instrumento de percussão em formato cilíndrico, com membranas dos dois lados, tocado normalmente na vertical ou inclinado, pendurado por uma alça no ombro do tocador, e o triangueiro, ou o tocador de triângulo, um instrumento de metal em forma de um triangulo, também chamado de “tengo-lengo”, percutido por um pequeno pedaço de metal. Todos os instrumentos vêm da música tradicional portuguesa.  No forró-pé-de-serra já encontramos instrumentos eletrônicos como guitarra e o teclado.  

O forró nordestino ou “tradicional”, é diferente do forró-pé-de-serra na forma de se dançar também. No nordestino há mais malícia, sensualidade e envolvimento entre os parceiros. No universitário são feitas revoluções coreográficas mais complexas. A dança é feita em pares, onde o homem e mulher se movimentam agarradinhos, sendo alguns movimentos separados, sempre com muita ginga e molejo.

Cidades brasileiras que por tradição dançam e difundem o forró: Caruaru (PE), Caicó (RN), Fortaleza (CE), Quixeramobim (CE), Capela (SE), Aracaju (SE), Gravatá (PE), Mossoró (RN), Juazeiro do Norte (CE), João Pessoa (PB) Natal (RN), Maceió (AL), Recife (PE), São Luis (MA), Terezina (PI). Nestas cidades, por ocasião das festas juninas, são promovidas grandes festas como o Forricó, na cidade de Icó (CE), Igatu Festeiro na cidade de Igatu (CE), Expocrato na cidade de Crato (CE), a Vaquejada de Itapebuçu (CE), que é uma das maiores festas do Brasil.

Em Campina Grande (PB) acontece o maior São João do Mundo onde, durante um mês, verdadeiros espetáculos pirotécnicos de quadrilhas hiper coloridas e dançantes majestosamente paramentados, atraem o olhar de pessoas do planeta todo.

Embora típico das festas juninas, o forró acontece por todo o Brasil, por todo o ano.

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Textos: OPY Comunicação Integrada
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