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Ilustração “Lituanos”, da série “Imigrantes do Brasil”.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

Lituanos

Localizada no norte da Europa, tem litoral no Mar Báltico. É um país encanta a todos por suas incríveis paisagens, ilhas de castelos, construções medievais, bosques, rios, lagos, paisagens que parecem de contos de fadas!   

Uma nação de cultura muito rica, a preservação da arquitetura barroca em sua capital, seus museus, igrejas, festivais de teatro e música, fazem parte da tradição do maior país entre os países bálticos. Porém, a Lituânia passou por sérias dificuldades, o que acabou gerando uma imigração dos lituanos para outros países, dentre eles o Brasil.

O primeiro registro da presença de um cidadão lituano no Brasil, data de 1886. Trata-se do coronel Andrius Visteliauskas, que auxiliou o Exército Brasileiro durante a Guerra do Paraguai. 

O primeiro grupo de lituanos chegou ao Brasil entre 1888 e 1890, e se dirigiram para o Rio Grande do Sul, em Ijuí, uma cidade que recebeu além dos lituanos, poloneses, alemães, austríacos, italianos, suíços, tchecos entre outros, tornando-se uma prospera cidade para os padrões da época.

Em 1923, após uma divulgação feita por agentes brasileiros na Lituânia, o Brasil atraiu uma leva maior de cidadãos lituanos interessados em emigrar. De acordo com os registros do governo brasileiro, 6 mil imigrantes chegaram a São Paulo nessa época, para trabalhar nas lavouras de café, algodão e cana de açúcar do interior do Estado, principalmente nas cidades de Ribeirão Preto, Araraquara, Colina e Barão de Antonina. Vieram atraídos pelas promessas de trabalho e de terras baratas para cultivo. Porém muitos se estabeleceram na cidade de São Paulo, indo trabalhar como operários, em indústrias no bairro da Mooca. Alguns trabalharam, na construção da Estrada de Ferro Sorocabana. Concentraram-se nos bairros da Mooca, Bom Retiro, Vila Anastácio, Vila Bela, na capital.  

Em 1926, o estado do Rio de Janeiro também recebeu algumas centenas de lituanos que se instalaram no município de Caxias e na então Capital Federal. Dedicaram-se ao comércio, à indústria e à arte, tornando-se fundadores de fábricas, bares, restaurantes, mercearias. Após 1940, devido às restrições impostas aos estrangeiros pelo presidente Getúlio Vargas, e também em reflexo da ocupação soviética da Lituânia em 1944, a comunidade entrou em declínio.

A maioria dos lituanos vindos naquele período acabou abandonando ou fugindo das fazendas de café em busca de trabalho na indústria paulista, empolgados com as notícias que recebiam daqueles que residiam em São Paulo.

A cidade de São Paulo é a segunda maior colônia de lituanos do mundo, atrás somente da cidade de Chicago, nos Estados Unidos. A imigração lituana para o estado de São Paulo ocorreu em três fases. A primeira, de 1926 a 1929, foi composta por camponeses. Em meados de 1930, veio uma leva constituída de operários e trabalhadores com alguma qualificação profissional e, após a II Guerra Mundial, a terceira leva, vieram fugidos do regime comunista da União Soviética.

Naquela época, os lituanos que se concentravam na Mooca, Bom Retiro, Vila Anastácio, Vila Bela, Santo André reuniam-se na igreja Santo Antônio do Pari, onde as celebrações religiosas eram realizadas pelo padre Benediktas Sugintas. Padre Bento, como era chamado, chegou em 28 de janeiro de 1931, com 36 anos de idade, vindo a se instalar nessa igreja. Conseguiu arregimentar a comunidade para construir a primeira igreja da comunidade lituana em São Paulo, registrando em 17 de outubro de 1931, sob o número 323, no 1º Registro de Títulos e Documentos, o estatuto da Comunidade Lituana Católica Romana de São José.

Em 1927, no bairro da Vila Zelina, também na cidade de São Paulo, chegaram várias famílias lituanas, hoje considerado núcleo de uma comunidade de descendentes de lituanos. Pelo fato dos lituanos serem em sua maioria católicos, e alguns luteranos, a Igreja de São José foi construída com o capital dos imigrantes lituanos, e exerceu um papel importante para a comunidade, por se tornar um espaço social, onde se mantinha os costumes e as tradições dos lituanos, bem as reuniões que faziam para saber notícias de algum parente que estava na Lituânia, na época sob o controle da União Soviética. Hoje mais de 7.000 habitantes, a maioria filhos e netos destes imigrantes, moram na região.

Em frente à igreja foi criada a Praça República Lituana, em 1976, onde foi edificado o Monumento à Liberdade, em 1982, um marco comemorativo do cinquentenário da imigração (1926-76). Na praça realizam-se todos os anos, um ato cívico, precedido de missa e apresentação de danças folclóricas para comemorar o dia da Lituânia, a 16 de fevereiro.

Gastronomia.

A gastronomia Lituânia é adaptada para o clima frio da Europa. Utiliza ingredientes como a cevada, a batata, o centeio, a beterraba, verduras de folhas verdes e os cogumelos, que crescem em abundância nos seus bosques. A culinária tem influência, dente outros países, da Polônia, Alemanha e dos judeus asquenazi.  

A culinária lituana é bastante conhecida em regiões do sul do Brasil, colonizadas pelos imigrantes polacos e ucranianos, principalmente no Paraná, em restaurantes típicos, em barracas nas feiras de rua de Curitiba e em diversos municípios do estado do Paraná como Ponta Grossa, Irati, Prudentópolis, Araucária, Contenda, Ariranha do Ivaí, Mallet, Tijucas do Sul, Rio Negro, São João do Triunfo, São Mateus do Sul, União da Vitória, Canoinhas, Rio Azul.  No estado de Santa Catarina temos as cidades de Papanduva, Mafra, Rio Negrinho, Itaiópolis e o estado do Rio Grande do Sul, a cidade de Áurea, considerada a “Capital Polonesa dos Gaúchos”.

Alguns exemplos de comidas são o Saltibarsciai, sopa fria de beterraba fria com creme de leite e ovos cozidos; o Kugelis, torta de batata, comida nos lares lituanos; os Pieroji, pastéis cozidos de origem polonesa; as sardinhas curtidas em salmoura; pepinos azedos; o Virtiniai, ravióli lituano recheado com carne ou queijo; a tradicional e exótica Koshilenai, geleia feita de carnes de porco e boi, guarnecida com mostarda escura e pão francês; a sardinha enrolada na cebola curtida para comer com pão preto Falšyvas Zuikis ou bolo de carne e a Obuoliu Pyragas ou a torta de maçã.

Quanto às bebidas encontramos Lietuva Sour, uma bebida feita a base de licor de mel, o Krupnikas, limão e água tônica.

Cultura, danças e artesanato

Na Lituânia festeja-se com muita alegria a Páscoa ou o Velykos, o Domingo de Ramos ou o Verbu Sekmadienis, a Gavenia ou Quaresma, o Natal ou Kaledos, o Naujuju Metu ou Ano Novo e no dia 23 de abril, a Festa de São Jorge ou o ano novo dos lavradores.

No artesanato legítimo do leste europeu, mais especificamente da Ucrânia, encontramos as Matrioskas russas, um brinquedo tradicional da Rússia, constituída de uma série de bonecas, que são colocadas uma dentro da outra; as porcelanas decoradas com motivos ucranianos e as Pêssankas ou Marguciai, ovos decorados de forma majestosa, com motivos simbólicos de paz e boa sorte, para dar de presente por ocasião da Páscoa na Ucrânia.

A dança é considerada como algo da essencial para os lituanos. Geralmente representam o dia-a-dia do povo e, por se tratar de um país essencialmente agrícola, elas estão muito relacionadas às atividades do campo, desde a atividade pastoril, até as ações relativas à plantação como o ato de arar, semear, regar, a colheita, a chegada da primavera, a variedade de grãos e festas para agradecer a fartura; aos trabalhos da colheita que preparam o fio para tecer, colocam-no na roca, o trabalho nos teares manuais e industriais. Representa-se o cruzamento dos fios, os giros dos carretéis e das engrenagens do tear ou o funcionamento dos moinhos de água e vento.

O grupo Rambynas é um grupo de danças tradicionais da Lituânia, que tem a missão de manter e divulgar a tradição do país no Brasil.

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Textos: OPY Comunicação Integrada
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