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Ilustração “Reisado”, da série “Manifestações da Cultura Brasileira.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

Lá vem chegando o Reisado
Cheio de graça e folia
Oh senhor dono da casa abre a porta e deixe entrar
Essa bandeira sagrada vem aqui lhe visitar
Bendito louvado seja
Pra hoje e sempre o amor
Se essa vida é tirana e causa tamanha dor
Quanto mais se for sozinha a lida do cantador

Por isso meus companheiros cantem comigo
que não canto só
Pra encontrar em cada rosto um destino bem “mió”

Reisado
Chico Lobo

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Reisado

Segundo Luis da Câmara Cascudo, em seu Dicionário do Folclore Brasileiro, Reisado é a denominação erudita para os grupos que cantam e dançam na véspera e Dia de Reis.

Festa popular de tradição cristã, foi introduzida pelos portugueses na época do período colonial. O nome é dado aos festejos realizados por grupos que cantam os chamados ternos e ocorrem entre o Natal e o dia de Reis Magos ou dia de Reis, em 6 de janeiro, ocorrendo, em alguns estados brasileiros, o ano todo.

O Reisado tomou feições as mais variadas, incorporando elementos das mais diferentes procedências e ganhando características locais, refletindo um universo multicultural em suas manifestações. Mistura folclore e religiosidade.

O reisado acontece em torno do nascimento do menino Jesus, relembrando a visita dos três reis magos. Os brincantes fazem apresentações nas praças e visitam os moradores por onde passam levando alegria, louvor e encantamento. As pessoas visitadas retribuem com algum agrado como vinho ou dinheiro para o grupo.

“Ele é, a um só tempo, tiro, auto-épico, brincadeira de terreiro, cortejo de brincantes, ópera popular e teatro tradicional. É rito porque encena o mito de origem do mundo cristão popular, com o nascimento do Divino. Auto-épico porque se dá em roda, com a participação ativa da comunidade. Cortejo popular porque as diversas linguagens artísticas (música, teatro, dança, artes visuais – nos figurinos e adereços), numa só apresentação. Teatro tradicional porque se trata de manifestação cênica construída secularmente pela coletividade”. (BARROSO, 2011)

Por todo o território brasileiro o reisado pode assumir diversos nomes como Terno de Reis, Tiração de Reis, Folia de Reis, Reisado de Congo, de Caretas ou de Couro, de Caboclos, de Bailes, Boi, Rancho de Reis, Guerreiros e outros. Assume diversas formas de manifestação, enredos, vestimentas e personagens, mesclando-se com a realidade de cada local.

A maioria dos reisados festejados no Brasil segue um roteiro: a abertura da porta ou pedição de sala, marcha de entrada, louvação do Divino ou aos donos da casa, louvação ao Menino Jesus, parte das figuras, entremeios (falas do Caboclo e da Dona do Baile), cantigas de amor, chula (só dança), entrada do Boi e retirada ou despedida.

Há vário tipos de apresentação, mas alguns grupos lembram em suas vestimentas, as roupas dos gladiadores romanos, havendo momento de verdadeira luta entre eles.

De forma geral os personagens principais são os Reis, em número de oito ou dez elementos de cada lado, que representam os gladiadores romanos, vestindo-se a caráter com saiotes, capacetes, espadas e uma armadura no peito. Usam ainda meiões e sapatos de borracha. Os trajes são bastante coloridos, com predominância do vermelho e, geralmente, com lantejoulas, fitas coloridas, areia prateada e espelhinhos, e as coroas no mesmo estilo. O Mestre e Contra-Mestre vestem-se igualmente, porém de forma mais requintada. Os Caretas são as figuras cômicas das apresentações e apresentam-se mascarados.

A figura do Mateus e Catirinas dão humor e representam os bufões dos reis. Pulam, brincam, para provocar o riso. Durante o desenvolvimento do auto, vão aparecendo as figuras da Burrinha, representando o animal que levou Maria para dar luz, do Jaraguá, da Ema, do Caipora e do Boi, dentre outras, que têm uma função idêntica àquela desempenhada no auto do Bumba-meu-boi, miscigenando-os.

Os instrumentos musicais tradicionais de um terno são o violão, a viola, a rabeca ou violino popular, a zabumba ou tambor, o triângulos, pandeiros e cavaquinhos dependendo dos grupos e da região. Torna-se rico quando da presença da Banca Cabaçal, um conjunto de percussão e sopro formado pela zabumba, uma caixa-tarol, pratos e pifes de taboca ou os pífanos.

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Textos: OPY Comunicação Integrada
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