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Ilustração “O Sanfoneiro”, da série “Tipos Tradicionais Brasileiros”
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

O candeeiro se apagou
O sanfoneiro cochilou
A sanfona não parou
E o forró continuou

Meu amor não vá simbora
Não vá simbora
Fique mais um bucadinho
Um bucadinho
Se você for seu nego chora
Seu nego chora
Vamos dançar mais um tiquinho
Mais um tiquinho
Quando eu entro numa farra
Num quero sair mais não
Vou inté quebrar a barra
E pegar o sol com a mão

Forró no Escuro
Luiz Gonzaga

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Sanfoneiro

O sanfoneiro é uma figura típica, um personagem que não pode faltar nas festas populares seja forrós, quadrilhas, festas de imigrantes e tantas outras. O sanfoneiro toca o ano todo, em todo o Brasil. Inúmeras canções populares cantam o sanfoneiro como a figura responsável pela alegria e ritmo destas festas. Junto a ele, a sanfona foi ganhando espaço em todo o país,

“Acordeão” é a corruptela de acordeom, e vêm do alemão “akkordium”, pelo francês “accordéon”. “Sanfona” vem do grego “symphonía”, pelo latim “symphonia” e pelo latim vulgar “sumphonia”. Significam o mesmo objeto, mas o nome sanfona é mais popular, pois já nasceu voltada para as canções folclóricas, para atender à alma do povo.

Pode ser chamada de acordeão, fole ou sanfona, o fato é que seu sucesso é garantido, crescendo a cada ano o gosto do brasileiro pelo instrumento.

A sanfona é um instrumento musical tocado no mundo todo, trazido para o Brasil através dos imigrantes italianos e alemães. É formada pelo teclado, que pode representar até acordes mais sofisticados; pelo fole, responsável pela passagem de ar que resulta na liberação do som; pelas caixas harmônicas de madeira e pelos baixos, que são os botões tocados pela mão esquerda e responsáveis pelas notas mais graves, determinando o ritmo.

Uma sanfona pode pesar de 9 a 13 quilos e ter cerca de 15.000 peças. Seu processo de produção é artesanal, por isso uma sanfona pode chegar a valores bem altos.

Toca-se, também, a concertina, ou acordeão diatônico. A concertina foi trazida pelos imigrantes alemães quando estes vieram para o Brasil a procura de melhores condições de vida. Tocar a concertina lhes proporcionava alegria e distração, pois viveram em péssimas condições aqui, no início dessa nova morada. Foi sendo passada de pai para filho até hoje, sendo um traço cultural muito forte dos descendentes dos Alemães.

No estado do Espirito Santo, diversas cidades promovem festivais de tocadores de concertina como Santa Maria do Jetibá, Linhares, Santa Tereza, Colatina, Laranja da Terra, Itarana, Afonso Claudio, dentre outras. 

Os tocadores de sanfona ou sanfoneiros, são amantes da arte de um instrumento considerado complexo. A relação que o sanfoneiro tem com sua sanfona é praticamente simbiótica, como se um não vivesse sem o outro. Muitos aprenderam sozinhos, sem professor, ouvindo e observando seus pais ou os tocadores das festas populares. Pegaram a sanfona, se arriscaram a tocar e tocam muito bem, incentivados pelo ritmo alegre que ela proporciona. É mais comum vermos homens tocando sanfona, mas as mulheres sanfoneiras estão em franco crescimento aqui no país. 

No Brasil muitos sanfoneiros foram eternizados, como é o caso do consagrado Luiz Gonzaga, “O Rei do Baião”, Dominguinhos, Hermeto Pascoal, Sivuca, o Camarão, Caçulinha, Renato Borghetti, Zé Calixto, músicos que levam a sanfona brasileira para outros países.

A riqueza de ritmos e expressões que a sanfona adquire pelo Brasil e pelo mundo é impressionante!

A sanfona é um símbolo da cultura do Nordeste, onde encontramos ilustres sanfoneiros tocadores de xote, xaxado, baião e forró, forró-pé-serra e tantos outros ritmos regionais. São tocadas nas festas juninas, as festas dos santos do mês de junho, dando o ritmo para as quadrilhas, mas estão presentes mesmo não jeito divertido e alegre de tocar do nordestino.

No Brasil Central, encontramos a sanfona liderando os chamanés pantaneiros, os arrasta-pé, os bailões e as canções do interior de Goiás.

A sanfona adquire novos ritmos no estado do Rio Grande do Sul, como fandango, o bugio, a milonga, o vanerão, a polca gaúcha e inúmeros outros!

Existem algumas fabricas de sanfona no Brasil: em Araraquara e Jaú, no estado de São Paulo; na cidade de Campina Grande no estado da Paraíba; em Iúna, no estado do Espirito Santo e Porto Alegre no estado do Rio Grande do Sul.

São Pedro do Itabapoana, localizado na cidade de Mimoso do Sul, no estado do Espirito Santo, tornou-se uma referência nacional na música de raiz, promovendo há mais de 16 anos o Festival de Inverno Sanfona e Viola. Na cidade acontece também o encontro de violeiros e sanfoneiros de Folias de Reis. No local pode-se conhecer o Núcleo de Formação em Sanfona e Viola. Para saber, São Pedro do Itabapoana é um sítio histórico com 41 imóveis residenciais, tombados pelo Conselho Estadual de Cultura em 1987.

Já no estado da Paraíba, existe uma rica diversidade desses músicos, seja nas bandas de forró, em carreira solo, nas orquestras ou nas palhoças, espalhados por toda a região.

Inicialmente sendo inserida no baião, que até então era tocado apenas com o violão, a sanfona passa a reconfigurar e criar ritmos, tornando-se popular e representando, através da sua musicalidade, diversos momentos tradicionais da história.

Embora não exista ainda no Brasil um dia que homenageie o sanfoneiro, este personagem continua fazendo a alegria sem fim do povo brasileiro, em todos os cantos de todo o país.

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Textos: OPY Comunicação Integrada
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