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Ilustração “Dança dos Facões”, da série “Tradições Gaúchas”.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

“Agradeço aos fãs que eu tenho pois aplaudem as façanhas que faço
Sou vaqueano na lida de campo e um taura num tiro de laço
Aprendi a tocar e cantar e também dividir no compasso
E o fole que vai e que vem eu domino na força do braço
(A essência nativa da terra simboliza grandeza e valor
Me orgulha cantar o Rio Grande com carinho, civismo e amor) Bis
Sou um simples tropeiro de rimas extraídas da inspiração
Eu preservo o valor do passado de bombacha e de gaita na mão
Admiro os costumes antigos recordar é viver emoção
Nos fandangos transmito alegria alma xucra da minha canção
O progresso me dá liberdade de compor versos estilizados
Me proponho a cantar as raízes e as relíquias dos antepassados
Tradição para o leigo é grossura a cultura enriquece o estado
Só me resta dizer aos amigos o Rio Grande vai bem, obrigado!”

 “Tropeiro de Rimas”
Os Serranos

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A Dança dos Facões

As danças fazem parte integrante da cultura de um país, de um povo.  A dança dos facões é uma dança típica e muito popular no Rio Grande do Sul, tradicionalmente apresentada por pares ou por grupos de homens, que executam complexos movimentos com dois facões, um em cada mão.

Parece que tem suas origens distante, nas danças de esgrima, vindas da Europa Oriental, da Ásia e África Mulçumana. Os portugueses e espanhóis que vieram para o Rio Grande do Sul, trouxeram em sua bagagem uma carga cultural repleta de influência dos árabes. Existe uma dança egípcia, a tahtib, que provem dos pastores onde homens com cajados, dançam com saltos e sapateios semelhantes aos feitos na coreografia da dança dos facões. Por isso a suspeita de sua origem vir destas regiões orientais.

Representam entreveros entre gaúchos, as lutas territoriais, lutas por divisas, temas que formam a coreografia da dança. Algumas versões tem um caráter dramático, onde os dançarinos encenam enredos que representam a realidade do campo e suas desavenças, mas são mal interpretações da dança original, podendo fugir de sua tradição ou da arte genuinamente folclórica e original. 

Os facões são instrumentos de trabalho e fazem parte da vida no campo do gaúcho. Nas mãos dos habilidosos dançarinos, eles fazem evoluções em movimentos coordenados, rápidos, ágeis e que reproduzem as ações de luta, ataque, contra-ataque, defesa. A dança é feita com facões verdadeiro e bem afiados, o que vai exigir muito cuidado por parte do dançarino.

Através dos movimentos de passar de um facão por entre as pernas, de uma mão para a outra, sapateando em complexos movimentos, interligando-se uns aos outros, batendo seus facões com tamanha força que chegam a soltar faíscas.

A dança pode variar entre movimentos mais cadenciados até rápidos, que desafiam a coordenação motora e reflexo dos participantes. Os sapateados vigorosos e fortes de algumas coreografias, exige bastante esforço dos dançarinos, chegando a ser um desafio, tendo um caráter de audácia e coragem.

Esta dança foi pesquisada em 1957 e executada antigamente no roteiro dos caminhos das tropas, dos tropeiros.

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Textos: OPY Comunicação Integrada
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