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Ilustração “O Gaúcho e a Prenda”, da série “Tradições Gaúchas”.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

No humilde rancho de um posto,
um moço encilhou o cavalo beijou a prenda e se foi. (…)
E durante largo tempo ficou a moça na porta olhando a estrada a chorar,
sem saber por que o marido tem que partir e lutar. (…)
Então a moça franzina tomou uma decisão:
esqueceu delicadeza, ternuras de quase noiva e
atou os cabelos negros debaixo de um chapelão
e se atirou no trabalho, cuidando de casa e campo, de gado e da plantação.(…) E a moça voltava ao rancho,
tão moça ainda e tão só!
E quando fitava a estrada, só via o vazio do nada,
o nada, o silêncio e o pó.(…)
Bendita mulher gaúcha que sabe amar e querer!
Esposa e mãe, noiva e amante que espera o guasca distante
e acaba por compreender
que a vida é um poço de mágoa onde cada pingo d’água
só faz sofrer e sofrer.
Parte do poema “Mulher Gaúcha”
de Antonio Augusto Fagundes
O progresso me dá liberdade de compor versos estilizados
Me proponho a cantar as raízes e as relíquias dos antepassados
Tradição para o leigo é grossura a cultura enriquece o estado
Só me resta dizer aos amigos o Rio Grande vai bem obrigado

 “Mulher Gaúcha”
Parte do poema de   Antonio Augusto Fagundes

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O Gaúcho e a Prenda

Os gaúchos, também chamados de peão, são descendentes da mistura de europeus com índios. O nome é dado às pessoas que são naturais do Sul do Brasil e vale do Rio da Prata, num bioma chamado de pampas, geralmente ligado à atividade pecuárias destas regiões. No Uruguai e Argentina tem a nominação de gaúcho, com a sílaba forte no “ga”.

Mesmo com influências europeias como portuguesas e espanholas, miscigenado aos índios, o gaúcho foi criando uma cultura própria, regional.

Apreciam se apresentar como grandes cavaleiros e seu cavalo crioulo, o cavalo do gaúcho, era tudo na vida dele. Eram homens bravos, destemidos.

A vestimenta típica do gaúcho é repleta de itens da indumentária indígena, como o poncho, o lenço colorado, a pala, um tipo de poncho grande, e o chiripa, este último presente na vestimenta do gaúcho até meados do século XIX, sendo posteriormente substituídos pelas bombachas.

Já a prenda, a mulher gaúcha, é representada como um tipo ideal de mulher. A mulher do tradicionalismo gaúcho é uma grande conhecedora dos costumes e da tradição. Mulher forte, que não foge ao dever, sua forma de vestir é simples, recatada, mas muito bem cuidada. Sua imagem impõe respeito. “Foi construída historicamente uma memória gaúcha na qual a prenda é a representação da figura da mulher que o tradicionalismo escolheu para cultuar.  (LUVIZOTTO, 2010).

Ensina-se às meninas gaúchas a tradição de que uma mulher gaúcha deve ser o protótipo de dignidade e respeito. Devido a essa importância, foram criadas leis estaduais a fim de manter as tradições gaúchas, onde são definidas a forma de se vestir da mulher gaúcha.

A tradicional pilcha feminina, que tem por objetivo valorizar as qualidades da prenda, é formada pelo vestido de prenda, saia de armação, sapatilha e flor no cabelo, sendo o vestido apresentado como a “síntese da sobriedade da mulher gaúcha”.

A bombacha, a calça larga e típica da roupa do gaúcho, representa a imagem do homem dos pampas, tornando-se marca exclusiva de sua identidade. A sua mulher, a prenda, sempre deixou evidente sua preocupação em estar bem vestida para tornar-se bela e ser admirada com o seu par eterno e arquetípica companheira

Abaixo, transcrevemos o trecho referente à vestimenta da prenda, do “Manual das Pilchas gaúchas”, adotado pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul, da lei 8.813 de 10 de janeiro de 1989

Indumentária da Prenda Atual para Moças e Senhoras:

O TRAJE:
Vestido, saia e casaquinho, de uma ou duas peças, com a barra da saia no peito do pé, podendo ser godê, meio-godê, em panos, em babados ou evasês, com cortes na cintura, caderão ou corte princesa, atentando para a idade e estrutura física.

AS MANGAS:
Longas, três quartos ou até o cotovelo; podendo ser lisas ou levemente franzidas (não bufantes), com aplicações de fitas, bordados, babadinhos ou similares, sem exagero, no máximo duas aplicações. 

O DECOTE:
Geralmente sem decote. Admite-se, no máximo, um leve decote, com ou sem gola, sem expor os ombros e o seio, sem contrastar com o recato da mulher gaúcha.

AS GOLAS:
Se usadas, podem ser arredondadas, sobrepostas, tipo paletó, padre, com ou sem detalhes, sem exageros.

OS ENFEITES:
Podem ser rendas, apliques, bordados, passa-fitas, gregas, fitilhos, fitas, viés, babadinhos lisos ou estampados miúdos, plissês, crochês, botõezinhos forrados, nervuras ou favos. Não sobrecarregar a fim de evitar a desfiguração dos modelos. A decoração com tecidos aplicados ou trabalhados com fitas que formam pontas de lanças e ondas devem ser evitados, optando-se pelos motivos florais, os quais compõem a tradição gaúcha. 

OS TECIDOS:
Podem ser lisos, estampados miúdos, xadrez miúdo, petit-pois, riscado discreto, de acordo com as estações climáticas. Não são permitidos apenas os tecidos transparentes sem forro, slinck e similares, tecidos brilhosos (lamê, lurex e outros para uso à noite em festas não-tradicionais) e tecidos em cores contrastantes, chocantes ou fosforescentes.

A SAIA DE ARMAÇÃO:
Deve ser discreta e leve, na cor branca. Se tiver babados, estes devem concentrar-se no rodado da saia, diferentemente da indumentária típica baiana.

AS CORES:
De acordo com a sincronia das cores e a relação com a idade e o momento do uso. Evitar as cores contrastantes, chocantes e fosforescentes, assim como o preto (luto); a cor branca fica convencionada para uso das noivas e debutantes. Não usar combinações com as cores da bandeira do Rio Grande do Sul.

A BOMBACHINHA:
Branca de tecido leve ou rendada, deve cobrir os joelhos.

AS MEIAS:

Devem ser longas, brancas ou beges, para moças e senhoras. As mais maduras podem usar meias de tonalidades escuras.

OS SAPATOS:
Pretos, brancos ou beges; podem ter salto 5 (cinco) ou meio salto com tira sobre o peito do pé, que abotoe do lado de fora.

OS CABELOS:
Devem estar semi presos, presos ou em tranças, enfeitados com flores discretas que podem ser naturais ou artificiais, sem brilhos e purpurinas, combinando com o vestido. As senhoras mais jovens, eventualmente, podem usar travessas simples ou com flores discretas e passadores nos cabelos que poderão estar semipresos em coques ou penteados curtos. Fica facultado o não uso de enfeites nos cabelos das senhoras em respeito à idade ou ao gosto pessoal.

AS MAQUIAGENS:
Discretas e de acordo com a idade e o momento social.

OS ACESSÓRIOS PERMITIDOS:
Fichú de seda com franjas ou de crochê, preso com broche ou camafeu.
Chale (especialmente para as senhoras).
Brincos (jóia ou semi-jóia) discretos.
Um ou dois anéis (jóia ou semi-jóia).
Camafeu ou broche.
Capa de lã ou seda.
Leque (senhoras ou senhoritas) em momentos não coreográficos.
Faixa de prenda ou crachá.
Chapéu (feminino) em ambientes abertos.

15. ACESSÓRIOS NÃO PERMITIDOS: 
Brincos de plásticos ou similares coloridos.
Relógio e pulseiras.
Luvas ou meia-luva de renda, crochê ou tecido (ressalva-se no uso do traje  (histórico urbano).
Colares.
Sombras e batons coloridos em excesso, uso de cílios postiços, unhas pintadas em cores não convencionais (verde, azul, amarelo, prata, preto, roxo, etc.)
Sapatilhas do tipo ballet, amarradas na perna.
Saias de armação com estruturas rígidas em arame, barbatanas e telas de nylon.
Recomendações sobre o uso da indumentária da prenda em diferentes ocasiões

Os trajes ainda pode ser para as Ocasiões Formais, Informais e uso para cavalgar em festas campeiras e rodeios.

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Textos: OPY Comunicação Integrada
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