Imigrantes Brasileiros: Sírios Libaneses e a Dança Dabke

Imigrantes Brasileiros: Sírios Libaneses e a Dança Dabke

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Ilustração “Sírios Libaneses e a Dança Dabke”, da série “Imigrantes Brasileiros.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

A Dança Dabke

Uma dança folclórica da Palestina, Líbano e Síria. 

O povo Sírio e o Libanês, são cheios de histórias muito antigas, tradições e a religião presente na sua vida, na sua arte, música. Inseriram várias palavras em nosso vocabulário, e nos influenciou com sua rica gastronomia típica, que agora pode-se dizer “brasileira”, como a esfirra, o quibe, a qualhada, o labne (qualhada seca), o homus (pasta de grão de bico) e tantas outras que já se incorporaram na nossa cozinha e gosto. E sabem ser mestres na arte do comércio, trazendo toda sua tradição secular e cultural de comerciantes para nossas cidades, principalmente a cidade de São Paulo, na rua 25 de março e bairros como Bom Retiro e Brás, dentre outros. 

Na dança, a mais conhecida para nós, é a dança do ventre, porém, seguindo a linha de trazer temas mais tradicionais das culturas, procurei uma dança mais típica e histórica, escolhendo a representação folclórica da dança Dabke.

Para os árabes, a dança é uma importante expressão artística e a Dabke é uma das mais representativas, é dançada na época da primavera, estação das chuvas, ou em casamentos na época das  colheitas.

Dabke significa “sapateado”. Podem participar de 6 a 15 dançarinos e dançarinas.

Representa, de forma geral, o ato de amassar o barro: acredita-se que possa ter originado da necessidade de se consertar as casas que, antigamente, eram feitas de pedra e lama, com seus tetos de madeira, palha e lama. Com o passar do tempo, a camada de palha e lama se quebrava e, para não infiltrar a água da chuva dentro das casas, estas eram reparadas com lama molhada.

Para fazê-la o povo se unia e ia umedecendo a lama e pisoteando-a, um trabalho que exigia a presença de muita gente da comunidade e levava muito tempo. Os vizinhos se ajudavam: se alinhavam, agarravam as mãos e avançavam um passo e pisoteavam, depois dava um passo à direita e pisoteavam novamente. Isso foi dando início a uma coreografia.

Durante esse processo, cantavam poesias e dançavam ao ritmo delas, dando um passo à frente, um pisoteio e um passo à direita e outro pisoteio. Com tempo o ato começou a se enraizar e começaram a chegar os instrumentos, dando origem à dança e à música do dabke.

Por ser de origem campesina, não se usam muitas cores, e sim trajes mais simples. Porém, nas danças apresentadas por grupos para folclóricos, feitas para apresentações em palco, normalmente as vestimentas são mais enfeitadas, coloridas e até, um pouco, descaracterizadas. Mas isso é parte da apresentação.  

Em minhas ilustrações,  gosto de usar as cores vivas. Aqui, respeitando as vestimentas mais sóbrias em sua origem, ao fundo, resolvi explodir os tons laranjas vivos e quentes, deixando as figuras mais suaves em destaque.

O Narguilé

Em primeiro plano, por ser um objeto bem detalhado e, em algumas versões, bastante coloridos e enfeitados, coloquei a imagem de um narguilé, um cachimbo de água, utilizado para fumar tabaco aromatizado, dentre outros tipos de fumo.

Seu nome é de origem persa e é utilizado em muitos países do mundo, em especial no Norte da África, Oriente Médio e Sul da Ásia. Têm-se espalhado, recentemente, para a Europa e Américas.

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Por Lu Paternostro

NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores.

Imigrantes Brasileiros: Africanos Sudaneses e a Dança dos Orixás.

Imigrantes Brasileiros: Africanos Sudaneses e a Dança dos Orixás.

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Ilustração “Africanos Sudaneses e a Dança dos Orixás”, da série “Imigrantes Brasileiros.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

Os Sudaneses, não estamos falando dos habitantes do país Sudão, mas o povo de uma grande região da África, a costa central-ocidental, são considerados uma nação, um grupo étnico cultural, ou seja, falavam quase a mesma língua, possuem os mesmos hábitos e religiões semelhantes.

Junto com os Bantos, que foram os primeiros a chegar aqui, formam os dois maiores grupos de escravizados que vieram para o Brasil. Com o tempo vieram negros de outras regiões, mas estes foram os que mais influenciaram nossa cultura.   

Ambas as culturas, Bantos e Sudaneses, acreditavam em várias entidades, como os orixás (para os Bantos, os inquices). Acima deles, estava o Deus supremo, a entidade suprema que tudo cria. Para os Sudaneses essa entidade máxima chama-se Olorum e para os Bantos, caham-se Zambi. Mesma realidade com nomes diferentes.

Os Sudaneses trouxeram para o Brazil o Candomblé.

Candon significa tambor. Candongueiro é o escravo que tocava o tambor na língua iorubá, dos Sudaneses. O Candongueiro era, também, uma espécie de “dedo-duro”: quando os escravos estavam trabalhando numa lavoura, por exemplo, o candongueiro, percebendo o feitor distraído, tocava o tambor num ritmo específico que os escravos já entendiam que eles poderiam fugir. E se a fuga fosse descoberta, o candongueiro mudava o ritmo e os escravos se continham, pois eles haviam sido descobertos.

O Candomblé não tem um livro sagrado, mas narrativas, ou itãs.

Na narrativa de um Itan, a criação do mundo é mais ou menos assim: Não havia separação entre os deuses ou o Deus supremo, Olorun, e os homens, nem entre o céu e a terra. Um dia, um homem tocou o Orun, que é o céu, com as mãos sujas. Olorum (Deus supremo) ficou indignado e soprou forte, e com esse sopro, ele separou o céu (Orun) da Terra (Aiyê).

No Orun, no céu, nós temos o panteão, onde habitam os orixás, entidades divinas que nunca tiveram existência na terra, criados por Olorum, e os eguns, homens que tiveram existência na terra e que são os nossos antepassados.

A união entre os dois espaços, o céu, Orun e a Terra, Aiyê, acontece dentro do culto ou no terreiro de Candomblé. No Brasil temos 12 divindades mais populares, e, no terreio, eles ficam no panteão dos orixás, no centro, onde os vemos dançando, incorporados nos médiuns.

Cada um tem um nome, símbolos que o representam, suas personalidades forças e poderes, suas cores, colares de contas com combinação de cores especificas, dias da semana e, no sincretismo, os santos católicos que os representam, dentre outras características. Cada um tem um tipo de oferenda e de música.

As oferendas, dadas aos orixás, específicas para cada orixás, é uma forma da pessoa se realinhar com eles, com o céu, com a Terra, a Orun. É o dar e receber.

Embora seja uma religião monoteísta, os Orixás, que estão diretamente ligados a Olorun como emissários, entidades espirituais representantes do Deus supremo, tem seu espaço dentro da criação e se conectam mais fortemente aos anseios dos homens e mulheres devotos, recebendo mais destaque. Olorun acaba ficando oculto, abstrato, e até esquecido, mas é super respeitado no mais íntimo de cada homem. Olorun, o Deus supremo, encarregou um Orixá, Oxalá, da criação dos homens, do mundo.

No Candomblé, temos 3 forças essenciais: o Iva, ou a criação, o Axé, que faz a criação desabrochar e Obá que dá um destino, um rumo certo para a criação.

Como gosto de desenhar as danças tradicionais dos povos, resolvi representar a Danças dos Orixás, na verdade um pequeno momento do que é o ritual e seu movimento.

Minha vontade aqui foi de criar um desenho muito colorido, com tons bem característicos do Brasil, com cores fortes, vivas e quentes.

Os orixás são muito detalhados em suas vestimentas e isso dá uma boa chance de os brindarmos com formas ricas, profusas, muitas cores e movimento!

No desenho, o tocador de tambor é uma figura que simboliza o ritmo do Candomblé.

Na composição resolvi usar dois orixás, pois queria mais destaques de detalhes a eles. A escolha foi baseada nas suas cores predominantes, suas formas.

No primeiro plano está Oxum, a Deusa das águas doces, dos rios, das fontes, dos lagos. A deusa do ouro, da fecundidade, do jogo de búzios e do amor. Leva um espelho em suas mãos. Maternal, tranquila, quieta. Cuida, flui. Sua cor, o amarelo ouro, intercalado aqui com as minhas cores quentes. No sincretismo católico, é representada por  Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora Aparecida e Nossa Senhora das Candeias.

Mais atrás, com a predominância dos verdes, Oxóssi, deus da caça, é o patrono do Candomblé Brasileiro. Seu elemento são as florestas. Usa um pequeno arco associado a uma flecha em suas mãos.

No sincretismo católico, São Jerônimo, Santo Antônio, São Pedro, São João Batista, São José e São Francisco de Assis.

Oxalá está presente como símbolos. Oxalá é o criador do homem, o Deus da Criação, e pode ser representado como jovem ou velho. Seu elemento é o ar. Seu símbolo, aqui posicionado no centro da imagem, é Oparoxó (cajado de alumínio com adornos). No sincretismo católico, tem sua representação em Jesus Cristo. A pomba, que também o representa, é uma de suas oferendas.

Para alinhar com todos e sua profusão de cores, instrumentos musicais flutuam no fundo da imagem.  Um universo de ritmos, sabores, cores, emoção e fé.

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Lu Paternostro

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Imigrantes Brasileiros: Africanos Bantus e o Jongo

Imigrantes Brasileiros: Africanos Bantus e o Jongo

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Ilustração “Africanos Batus e o Jongo”, da série “Imigrantes Brasileiros.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

Aganju, Xangô
Alapalá, Alapalá, Alapalá
Xangô, Aganju

O filho perguntou pro pai:
“Onde é que tá o meu avô
O meu avô, onde é que tá?”

O pai perguntou pro avô:
“Onde é que tá meu bisavô
Meu bisavô, onde é que tá?”

Avô perguntou bisavô:
“Onde é que tá tataravô
Tataravô, onde é que tá?”

Tataravô, bisavô, avô
Pai Xangô, Aganju
Viva egum, babá Alapalá!

Aganju, Xangô
Alapalá, Alapalá, Alapalá
Xangô, Aganju

Alapalá, egum, espírito elevado ao céu
Machado alado, asas do anjo Aganju
Alapalá, egum, espírito elevado ao céu
Machado astral, ancestral do metal
Do ferro natural
Do corpo preservado
Embalsamado em bálsamo sagrado
Corpo eterno e nobre de um rei nagô
Xangô

Babá Alapalá.
Gilberto Gil

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Africanos Bantus e o Jongo

A África é chamada de “O Continente Negro”, onde se acredita que se deu a origem da raça humana. Um espaço geográfico de culturas, etnias e línguas muito variadas, nunca sendo caracterizada por uma cultura homogênea, em termos humanos ou culturais. 

Num passado não tão remoto, comparado com a história da África, alguns povos vindos de Angola, do Congo, de Moçambique, da Nigéria e de outras partes do Continente Negro, atravessaram o Atlântico e foram parar no Brasil. A maior parte dos negros escravizados que vieram trazidos para o Brasil eram de etnias bantas (Congo, Benguela, Cabinda, Angola, Angico etc.), sendo os primeiros que chegaram, vindos a costa ocidental africana.

Entre as etnias africanas, existem nuances, ficando muito difícil falar sobre elas, ainda de uma forma específica! Mas, o que é objetivo, é que estes povos trouxeram para o Brasil  grande parte da riqueza cultural que hoje temos aqui – Muito do nosso vocabulário atual tem origem banta, de nossa gastronomia, frutas, vegetais, cultura e muitas coisas mais!

No campo da música, os bantos forneceram grande parte do ritmo que caracteriza a música brasileira. O gosto dos bantos pelos batuques, atabaques e instrumentos de percussão se refletiu em gêneros musicais como o samba, a bossa nova, o coco, o maracatu, o pagode, etc

Por conta disso, quis representar uma dança, que aqui se torna, não uma dança específica, mas uma síntese simplória, por assim dizer, do movimento relacionado às danças e rituais religiosos.

Pesquisei sobe o tema das danças dos bantus, mas quase nada de específico achei disponível sobre o tema. Embora temos muitas imagens, não há identificação de ondem são ou o que representam. Parece tudo muito misturado, confuso de se entender, também, porque os africanos e sua cultura original não são nada padronizados.     

O que posso tirar, é que as tribos têm sua religiosidade misturada com sua vida diária, e a dança se confunde com a vida, que é a luta da vida, que se une com os rituais religiosos.

Na pesquisa que fiz, optei por esta dança que foi filmada no meio de uma comunidade, por parecer ser mais genuína, pé na terra, sem as “fantasias” típicas dos grupos para folclóricos*.   

Mesmo assim, recriei as suas roupas, inserindo uma enorme quantidade de elementos e cores. Desta forma quis representar a riqueza e a diversidade  desse povo, de sua vida, cultura e de sua gente e saberes.  

O que mais chama a atenção nas danças africanas, de forma geral, são os inúmeros movimentos rítmicos, quase que semelhantes e um estado de transe, transformando os corpos em ondas de movimentos quase inconcebíveis!

Procurei representar um pouco disso no movimento dos traços, no ritmo de formas que se repetem, nas texturas, nos detalhes que adquirem muitas cores, criando uma nova paleta, uma forma de agradecer a eles a riqueza que me deram.

Também a forma que encontrei de “dançar” um pouco com eles.

O Jongo

O Jongo, ou Caxambu, é um ritmo que teve suas origens na região do Congo-Angola. É uma dança profana para o divertimento, mas uma atitude religiosa permeia a festa.

Antigamente, somente os mais velhos podiam participar, ficando os mais jovens apenas observando. Também é a dança dos ancestrais, dos pretos-velhos escravos e dos cativeiros.

* Os grupos para folclóricos são utilizados para nos contar mais de nossa cultura tradicional ou típica, mas de uma forma mais colorida, os detalhes mais ressaltados, feitos pensando em apresentações em palcos. São como shows, mas com tema cultural.

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Lu Paternostro

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Imigrantes Brasileiros: Coreanos e a Dança Buchaechum ou Dança dos Leques

Imigrantes Brasileiros: Coreanos e a Dança Buchaechum ou Dança dos Leques

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Ilustração “Coreanos e a Dança dos Leques”, da série “Imigrantes Brasileiros.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

Riquíssima em suas vestimentas típicas, unidas aos movimentos que desenham o espaço visual com seus leques abertos, escolhi esta dança para representar o tema dos coreanos, primeiro por ser tradicional e segundo, por ser hiper colorida. Sabia que poderia colorir tudo ainda mais.

A ilustração digital me permite usar todas as gamas de cores possível, principalmente quando pode ser vista na tela de um celular, computador, tablet. Não temos a limitação das misturas de pigmentos, dos suportes que alteram as tintas ou mesmo influência da secagem, que também pode alterar algumas cores, em algumas técnicas de pintura.

No universo do digital, trabalho nuances que, muitas vezes, não podem ser traduzidos numa imagem impressa, mesmo que tenha toda a precisão possível, e cuidado, no processo de impressão. A tradução do meio digital (RGB, as 3 cores básicas que compõe a luz branca, considerando-se a resolução em tela) para o meio impresso (ou a tradução em CMYK, as 4 cores básicas da impressão off set, por exemplo) já impõe limites nos nuances das representações das cores. Mas jamais desconsidero a pintura, ou a aquarela, ou outra técnica como a gravura, e tantas outras, com todas as suas possibilidades pictóricas, pois também adoro explorar outros meios. Todos os meios, nas suas possibilidades e limitações, são válidos e acabam dando outras formas à uma criação. Um outro universo acontece quando trabalho no meu atelier. Mas isso vamos falar num outro momento.

Quando trabalho com a arte digital, ou melhor, com ilustração digital e as possibilidades de aplicação desta ao design, como objetos, roupas, e tantos tipos de suportes, gosto de explorar ao máximo das cores. Ao máximo mesmo!

Quando pesquisava sobre os temas para representar os coreanos, foi difícil escolher um, e me deparei com a dança dos leques, vi que seria uma ótima oportunidade de explodir as cores! Os leques e as roupas das bailarinas eram a minha oportunidade.

Então, na composição, preferi dar destaque para as dançarinas, porque assim podia explorar seus movimentos e detalhes de seus leques e roupas, embora o auge de uma apresentação da dança dos leques, seja a grande forma composta por todas as bailarinas juntas ou a coordenação de seus movimentos.

Para diferenciar cada ilustração dessa série, escolhi fundos homogêneos, de cores, preferencialmente, mas não obrigatoriamente, com algum tom complementar.

Quando vi a predominância do carmim nas imagens que fui pesquisando, não me saia da mente a vontade de fazer este azul, mas era este azul, não outro. Demorei um pouco para afiná-lo.

Mesmo sabendo que a imagem fina impressa, seria pequena, não hesitei em caprichar nos detalhes. Simplesmente descobri que preciso fazer os detalhes, por uma necessidade! Adoro que descubram os detalhes que faço!

Pois bem, e como é a dança dos leques? 

A Dança dos Leques

Trata-se de uma dança tradicional coreana, mas considerada nova, pois sua primeira apresentação aconteceu em 1954, tornando-se muito apreciada por seu povo, principalmente os sul-coreanos.

É executada por mulheres, vestidas de roupas tradicionais coreanas, as hanbok, ou com representações de vestimentas orientais, sempre muito coloridas.

Dançam em grupos, e vão executando coreografias com os leques, unindo-se, vão gerando formas tipo mandalas, espirais, ondas, sempre com movimentos suaves, femininos, coordenados, com seus leques que vão fazendo diversos desenhos no espaço. Quando os leques possuem cores diferentes em cada face, o efeito destes junto com a dança, é muito bacana.

Pesquisando as hanbok, ou “roupa coreana”, fiquei boba de ver a combinação de cores, dos tecidos, das texturas que as compõe. Confesso que criei as roupas baseadas em imagens, mas o que mais me inspirou foram as cores e os detalhes. Criei meu próprio figurino e detalhes.

As dançarinas e os leques são uma coisa só.    

Vale a pena ver, conhecer e se inspirar!

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Por Lu Paternostro

NOTA LEGAL: Proibida a reprodução total ou parcial sem autorização expressa dos autores.

Imigrantes Brasileiros: Os Bolivianos e a Chola Paceña

Imigrantes Brasileiros: Os Bolivianos e a Chola Paceña

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Ilustração “Os Bolivianos e a Chola Paceña”, da série “Imigrantes Brasileiros.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

Os bolivianos, em seus trajes típicos, trazem uma incrível variedade de formas e cores que, se deixar, não consigo parar de ver. Dá vontade de “comer” com os olhos!

Pesquisando um pouco mais sobre suas tradições, descobri a Chola Paceña, uma forma criativa que as índias bolivianas encontraram para valorizar sua cultura e tradições, seu tipo físico mais baixo e gordinho, sua forma de ser e pensar o mundo e, o mais importante, a Chola Paceña tornou-se um resgate da dignidade dessas mulheres.

A “cholita” paceña é a mulher indígena aymará, vestida com uma indumentária formada por xale, saia, blusa, brincos e enfeites, longos cabelos formando duas tranças e é considerada patrimônio cultural imaterial da cidade de La Paz.

Mas a identidade do Chola Paceña não está só expressa na forma de ser vestir, mas também nos papéis que, gradualmente, ganharam as mulheres aymarás na política, sindicatos, cultura e economia.

Este jeito de ser, de se vestir e de ganhar espaços cada vez mais importantes,  fez com que as “cholitas”, meninas de todas as idades, conquistassem as passarelas do mundo todo! Sim, a famosa forma de se vestir e ser das bolivianas, se propagou pelo planeta.

Nos desfiles podemos ver a maior variedade possível de xales, chapéus, enfeites, brincos grandes e, o mais interessante, a forma típica de mostrar tudo isso nas passarelas: com passos delicados, bem à frente do corpo, elas provocam um semi giro com seu tronco que faz com que suas saias rodem, seus xales voem, incluindo a forma como os apresentam, tudo se movimenta de forma suave e harmoniosa, lembrando uma dança!

Cabeças altas, olham o público com um sorriso cheio de charme. Desta forma, as modelos enfrentam os padrões e modismos com segurança e orgulho, com a força de ser as representantes fortes de uma tradição!

É um verdadeiro show de variedades dentro de uma forma de ser bem coerente e estruturada! Fazem isso para preservar sua identidade intacta e não perdê-la com os efeitos massivos da globalização. 

Por tudo isso e, mais uma vez, pela riqueza das formas, escolhi este tema para esta ilustração.

No fundo da imagem, inseri a Wiphala, a bandeira que é o emblema da nação andina e aymará representando a filosofia de vida dos andinos. Simboliza a ideia da Pachakama, representação do início e a da Pachamama, a mãe, que constituem o espaço, o tempo, a energia e o nosso planeta, de modo que o sentido da Wiphala é ser uma representação de um todo conectado.  

E como é a Chola Paceña

Trata-se de uma forma de se vestir baseada nos trajes típicos das índias bolivianas mayarás.

É formado pelo xale, chapéu coco, brincos grandes, broches, saia rodada e camisa. Usam sempre saltos baixos ou sandálias e sapatos bem rasteirinhos.

Os xales, com seu rico acabamento na bainha, de onde saem as fitas que dão a graça ao movimento típico do corpo, é uma das peças principais e mais enfeitadas do traje. Pode ser de vários tipos de tecidos, estampados ou não, e podem ser bordados com flores e padrões variados. Seu acabamento e bordado são feitos à mão, por costureiras ou artesãos locais. Foram inspirados nos xalés das mulheres espanholas.

As sandálias, num traje mais típico, utilizadas em tempos mais quentes, são feitas por artesãos bolivianos.

Abaixo das saias são colocadas as anáguas, que quando as mulheres rodam, elas provocam um movimento maior às saias, além de aparecerem, dando um contraste com elas.   

As saias, bem rodadas, tem de constar de abas horizontais, uma sobre a outra, aumentando o volume e o seu movimento também!

Um dos símbolos pacenõs mais representativos e um ponto bem característico da vestimenta, são os chapéus. Os chapéus são tão importantes e conhecidos no mundo todo, que existe, em La Paz, a Rua do Chapéus, onde os artesãos produzem e vendem chapéus típicos!  São feitos a mão, um a um, com muito cuidado, utilizando técnicas específicas e de altíssima qualidade, já que as mulheres paceñas são muito exigentes.

O chapéu é considerado parte da identidade da cultura paceña.

Outros acessórios são brincos grandes, algumas vezes utilizam broches que seguram os xales e as tranças, em duas, feitas com seus longos cabelos. Normalmente escondem suas tranças sob o xale, outras, deixam-nas soltas, fazendo parte do movimento de giro de sua forma de desfilar e de se movimentar.

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Por Lu Paternostro

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Imigrantes Brasileiros: Judeus e a dança Hava Nagila Medley

Imigrantes Brasileiros: Judeus e a dança Hava Nagila Medley

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Ilustração “Judeus e a dança Hava Nagila Medley”, da série “Imigrantes Brasileiros”.
Copyright Lu Paternostro. Proibida cópia, uso ou reprodução desta imagem sem a autorização da artista.

Muito complexa e cheias de altos e baixos, a história dos judeus é uma das mais intrincadas que pude ler.

Um provo que sofreu demais, mas que se reinventou, renasceu de todos os incidentes, sempre mantendo sua fé na senda, aceitando sua saga.

Complementando a série das danças tradicionais, na sua maioria estas são em grupos e bem vigorosas. Em algumas danças, os homens se vestem de preto, de preto e branco ou terno preto. Na cabeça ou um quipá (aquela pequena boina no topo da cabeça, utilizado tanto como símbolo da religião como de temor a Deus) ou um chapéu de abas largas.

Já as mulheres se vestem de branco, ou algo discretamente colorido, ou o azul e branco, cores da bandeira de Israel, mas sempre em vestidos ou saias longas e lenço nas cabeças. As veze levam um xale em suas vestimentas.

Há danças só de homens e só de mulheres, mas na maioria, homens e mulheres dançam juntos. Tudo é muito singelo e sempre com os pés no chão. Nos grupos para folclóricos as vestimentas se enriquecem e podem até se descaracterizar. 

A mais famosa dança tradicional é a Hava Nagila Medley.

A Dança Hava Nagila Medley

Hava Nagila é uma canção folclórica hebraica cujo título significa “alegremo-nos”. É uma música de celebração muito popular entre os judeus. Não há um casamento ou um bar mitzvá (na religião judaica, o menino que, no seu 13º aniversário, atinge a maioridade religiosa, passando a ter a obrigação de cumprir os preceitos religiosos) em que ela não seja tocada, cantada ou dançada.

A canção surgiu em 1918 para manifestar a alegria com a libertação de Jerusalém em dezembro de 1917.

Para a imagem, usei o azul e branco para a mulher e uma roupa mais enfeitada, como a de alguns grupos para folclóricos para o homem.   Os homens não vestem nada de cores – o rosa da camisa e as flores no vestido dela, são uma “licença poética”.

Nas cores do fundo, quebrando a sutileza dos tons das figuras do primeiro plano, optei pelos carmins, rosas e vermelhos, em cores vivas, alegres, vibrantes, que contrastam com a simplicidade das vestimentas mais tradicionais. Representam as próprias danças e seus ritmos muito animados e vigorosos.

A Torá (pentateuco), o livro sagrado dos Judeus e a Menorá o castiçal de 7 velas, que representa, junto com a Estrela de David, um dos símbolos do Estado de Israel.

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Por Lu Paternostro

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