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Pinturas-objetos. “Concetona” (P095)
Técnica mista sobre painel. 30x05x30 cm(CxAxL)
Lu Paternostro


Concetona

Todos calam sua boca o tempo todo.
E ela sofre!

Ninguém imagina o que é, todos os dias, engolir sua língua vermelha de baba seca!!
Difícil… Ai ela fica assim, porque, se falar, leva! E corre o risco de, um dia, engolir a própria boca também!

Acostumou-se a conversar com seus colares de olhos, que nunca a largam.
Acostumou-se, também, ficar no seu quieto lugar de reflexões mudas e confusas.
Acostumou-se que, para viver melhor, tem de calar a boca com mais frequência.
Acostumou-se que o outro tem uma necessidade imensa de existir mais que ela.

As babas secam.
A língua prende.
Ela se sufoca e chora.
Depois passa.
Mas, seus ouvidos são profusos, enormes e expressivos.
Parecem ter vida própria. Ou se fingem ou se fungam, para não ouvir tanto a palavra EU, um EU que não é dela, mas o EU de tantos que vivem com ela. As bocas alheias, parecem, só falam EU. Só sabem ver seu EU.

Seus olhos são o céu, aquilo que ela sonha sempre: voar!
Seus olhos falam para o mundo e vivem mais além.
No seu silêncio, e dentro deles que voam mais alto, ela se torna mais feliz!

Por isso, tranca sua boca e língua num pequeno armário, e joga a chave no mundo, para o nunca mais.



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